CEO do Comunique-se tem artigo publicado na Revista RI, em sua edição especial de 10 anos.
A revista RI comemorou, no final de março, 10 anos de existência no mercado editorial nacional. Para a edição comemorativa, Rodrigo Azevedo, CEO do Comunique-se, escreveu artigo sobre a importância da melhor alocação de recursos financeiros na área de RI, destacando as diferenças entre consultoria e apoio operacional na montagem de páginas de RI na internet. Com a experiência de quem já visitou mais de 50 empresas nos últimos meses, Rodrigo aponta quais os principais problemas encontrados no mercado e quais as soluções tecnológicas e dinâmicas mais adequadas à área de Relações com Investidores.
Confira o artigo na íntegra:
Desperdício de recursos nas áreas de RI
Departamentos de RI pagam por consultoria e levam apoio operacional
Em setembro de 2007, o Comunique-se lançou a RIWeb em um "Encontro Informal do IBRI", dentro da Bovespa, que reuniu mais de 100 profissionais do setor de Relações com Investidores (RI). Desde então, eu e o diretor da RIWeb, Epaminondas Rodrigues, visitamos 54 empresas. Arrisco dizer que ninguém visitou tantos departamentos de RI em tão pouco tempo e, por isso, me sinto bem seguro para escrever sobre este assunto.
Nas visitas que fizemos, geralmente abrimos o diálogo com algumas perguntas exploratórias. E não raro, a conversa se segue como abaixo:
- Olá. Vocês contratam atualmente alguma consultoria de RI? Começo perguntando.
- Sim. Temos a empresa "X ".
- E quantas horas tem o seu contrato?
- Umas 40 horas.
- Certo. Quem escreve seus releases, você ou a consultoria?
- Nós mesmos - responde o cliente, para em seguida completar: - afinal, somos nós que conhecemos melhor o negócio, é estratégico.
- Entendo. E se você tem um roadshow, quem faz o conteúdo do powerpoint?
- Também somos nós... - responde o cliente já sem muita paciência.
- Mas... onde então você gasta suas horas consultoria?
- ... (vazio).
Consultoria ou Apoio Operacional?
Depois de uns segundos de silêncio a empresa visitada geralmente acaba respondendo que o fornecedor faz o upload para o site de RI, faz o disparo do release por e-mail, organiza conference calls, realiza traduções, etc. Enfim, não cita sequer uma atividade autenticamente de consultoria. Em todos os itens mencionados aqui o que ocorre, de fato, é apoio operacional e não consultoria. Uma hora de consultoria custa, em média, R$ 400, enquanto uma hora de apoio operacional não pode custar mais do que R$ 100.
A conclusão a que se chega é que os profissionais de RI, em geral, desconhecem a diferença entre as duas coisas e acabam pagando muito mais caro por isso. A empresa mantém um serviço caro de "consultoria", quando, na verdade, ela mesma realiza o trabalho e conta com apoio operacional para fazer tarefas não estratégicas diversas.
Veja alguns exemplos de consultoria: redação do release de resultados, aconselhamento, montagem do departamento de RI e treinamento da equipe, dentre outros. E para apoio operacional podemos dizer que são todas as tarefas, não estratégicas, de baixo valor agregado, que a área de RI queira terceirizar, como: tradução, organização de um conference call, diagramação, design, dentre outros.
Este é um problema que é recorrente no mercado e somos testemunhas vivas disso. Se você é um profissional de RI, esse também pode ser o seu caso! Se não for, fale com alguns colegas e ficará surpreso ao constatar que este é de fato um caso comum. Enfim, não é uma especulação. É algo observado após visitas recentes em 54 empresas.
Histórico
Vale agora analisarmos os motivos que levaram o mercado ao atual estágio. Será que a culpa é do profissional de RI? Creio que não.
A área de relações com investidores é relativamente recente no Brasil, tem aproximadamente 10 anos de existência. Além disso, o Brasil até pouco tempo atrás, não possuía oferta de cursos para formação em RI. Para piorar, em 2007 o Brasil viu cerca de 100 novas empresas fazerem seu IPO. Com isso, encontrar um profissional de RI qualificado se transformou em tarefa de gincana.
Desta forma, quando uma empresa decide abrir capital ela, invariavelmente, não conta com uma estrutura já formada de RI, nem profissionais com experiência neste segmento. Por essa razão, busca na consultoria externa o auxílio em todo o processo. E no caso do Brasil, tivemos um agravante: a falta de opções no mercado. A falta de concorrência, muitas vezes, prejudica o desenvolvimento de competências e o crescimento de um segmento. No caso de RI, não é diferente.
Jack Welch, em seu livro "Paixão por Vencer: As respostas", usa uma figura de imagem para explicar o papel da consultoria. Ele compara a consultoria com um hospital. Quando você está doente você vai lá, se trata e depois toca a sua vida. Enfim, ninguém saudável mora em um hospital. E a comparação com a consultoria faz sentido: você contrata os consultores que irão auxiliá-los por um tempo e, então, você fica pronto para tocar a sua vida.
No caso das Relações com Investidores, não acontece diferente. A empresa que está para abrir capital contrata uma consultoria, que auxilia no processo e começa com um contrato com alto volume de horas. Depois de algum tempo, que varia de seis a doze meses, o departamento de RI absorve os conhecimentos e passa a desenvolver a maioria das atividades internamente, sobrando para a consultoria o que chamamos de apoio operacional.
Como resolver
A solução deste problema depende muito mais da atitude do gestor de RI do que qualquer outra coisa. Se uma empresa paga por horas de consultoria e recebe apoio operacional, deveria imediatamente ajustar o contrato, de forma a refletir o real uso.
Uma primeira e óbvia sugestão seria diferenciar o valor da hora no contrato, aplicando um valor para hora de consultoria e outro para hora de apoio operacional.
Outra sugestão interessante é gastar horas somente com aquilo que de fato requeira horas. Parece óbvio, eu sei. Mas incrivelmente a maioria das empresas que visitamos paga por horas que não precisaria pagar, se fizesse um uso mais eficiente de tecnologia.
Por exemplo, faz sentido uma empresa ter custos com horas atualizando seu site de RI? Em nossa opinião, não. Faz sentido uma empresa pagar para que outra clique no "enviar", para soltar um release? Também achamos que não.
Porém é isso o que acontece, na maioria dos casos. Quando um RI precisa atualizar seu site, comumente ele escreve o conteúdo, prepara um e-mail e envia para a consultoria fazer o upload. Depois disso, telefona para a consultoria cobrando e acompanhando a atualização. Como foi a consultoria quem fez o upload, o cliente terá que pagar por essas horas.
E se o processo de atualização fosse tão simples que o próprio cliente pudesse fazer o upload, dispensando o consumo de horas de consultoria? Ou melhor, se o tempo gasto para o próprio cliente fazer o upload for menor do que o tempo gasto para preparar um e-mail, anexar release, enviar para a consultoria e cobrar? O cliente teria imediatamente uma série de benefícios: instantaneidade de atualização, custo zero com horas, menor circulação de dados sigilosos e total autonomia.
Há pouco mais de dez anos, quando precisávamos de um extrato bancário, esperávamos a hora do almoço, íamos ao banco e enfrentávamos uma fila enorme para chegar ao caixa, que tirava o extrato para nós. Agora, com a Internet, nós fazemos o papel do caixa: vamos direto ao banco via web e imprimimos nosso extrato. E ainda pagamos por isso (e somos muito felizes assim, obrigado!).
Enfim, a tecnologia foi feita para nos auxiliar, tornando os processos mais rápidos, fáceis e claros. E mais baratos. E não pode ser diferente no segmento de Relações com Investidores. Em nossa cultura web, não faz sentido ter um intermediário para "operar" os sistemas do RI.
Para fechar, um outro fato que percebemos nessas primeiras 54 visitas é que todo departamento de RI tem orçamento apertado, equipe pequena e trabalho até dizer chega. Pensando nisso, deixo uma mensagem final para esses profissionais: revisem seus contratos e usem tecnologia de ponta. Vocês ficarão surpresos com a redução de custos possível. Daria até para aumentar a equipe.
Rodrigo Azevedo – CEO
Comunique-se Comunicação Corporativa
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